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10 Anos de minimalismo: o meu caminho

  • Foto do escritor: Vânia Carranca
    Vânia Carranca
  • 29 de jan.
  • 2 min de leitura

mulher e criança num caminho rural

Estávamos em 2016, tinha 28 anos e um sonho, criar um Blog de moda!


Um blog de moda e minimalismo não parecem conceitos que façam totalmente sentido juntos! Bem, mais vai fazer todo o sentido.


Nesse mesmo ano, num final de um dia tranquilo, assisti ao documentário The true cost. Foi um autêntico murro no estômago. O funcionamento da indústria do fast fashion era, e é, completamente irresponsável para com o ser humano e com o ambiente. Um blog sobre moda, onde o apelo ao consumo de roupa e fast fashion é constante, já não fazia mais sentido. Na verdade, os meus próprios hábitos de consumo, já não faziam sentido a partir daquele momento.


Tinha um roupeiro a transbordar de roupa, com dezenas de malas e sapatos, e adquiria roupa nova todos os meses. Fazer um blog sobre moda parecia-me, agora, algo completamente desajustado e até errado.


Ao pesquisar sobre o assunto descobri o conceito de guarda roupa cápsula e esta foi a porta de entrada do minimalismo na minha vida.


Começou pelo roupeiro, reduzi as minhas roupas ao mínimo essencial. Dei, doei, vendi e deitei fora roupa sem condições de uso. Criei um guarda roupa cápsula por cada estação deixando no roupeiro a uso apenas 40 peças no total. Daí vieram muitos aprendizados e do armário passei para outras áreas da minha vida.


Abracei o minimalismo na minha casa, nos objetos, nas arrumação, mantive o essencial, criei espaço e simplicidade.


Durante uns anos o minimalismo passou muito por isto - reduzir - o número de peças de roupa, os objetos nas gavetas, a decoração da casa. Lembro-me de contar quantos pares de sapatos tinha, de tentar manter as dobras das camisolas num padrão específico, de tirar cor das paredes e dos móveis até que tudo ficasse branco. Durante esses anos, tudo isto fez sentido. Ajudou-me a focar e a centrar-me. Ajudou-me a viver de forma diferente, ajudou-me a reduzir despesas e a perceber que era feliz com menos. 


Em 2020 o minimalismo ganhou uma nova perspectiva com o nascimento da minha filha e a saída de Lisboa para uma pequena vila no interior do Alentejo. Aqui o número de peças de roupa ou de objetos deixou de ser o mais importante. . O minimalismo ganhou outra dimensão.


Esta mudança trouce para a minha vida novos conceitos como o slow living, viver devagar. Passei a viver de forma mais atenta ao que me rodeia, uso o meu tempo de forma intencional e valorizo as coisas simples. Ao optar por este estilo de vida, permitiu-me trabalhar menos horas, com isso tenho um menor rendimento, mas mais tempo. Abracei, assim, o conceito de downshifting.



Viver devagar no Alentejo permitiu-me ter uma vida sustentável física e mentalmente, reduzir exigências financeiras permitiu-me ter mais tempo para aquilo que valorizo. Minimizar até ao essencial abriu espaço para muita reflexão e muitos ajustes no próprio conceito de minimalismo.


Hoje, para mim, o minimalismo é uma forma de responsabilidade, onde escolho, por respeito a mim, ao meu tempo, ao espaço que ocupo e aos recursos que me rodeiam, não viver com excesso — seja de objetos, seja de expectativas, seja da necessidade constante de ter, parecer ou provar uma vida que é socialmente tida como sucesso.



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