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Por que é que ainda compramos o que não precisamos? Reflexões de uma Minimalista

  • Foto do escritor: Vânia Carranca
    Vânia Carranca
  • 6 de fev.
  • 4 min de leitura


Assisti ao documentário Buy Now: the shopping conspiracy (sobre consumo) e foi um verdadeiro murro no estômago. Tal como aconteceu quando vi The True Cost (sobre o impacto da fast fashion) e The Minimalists: Less is Now (sobre minimalismo), fiquei com a sensação de que, apesar de já saber que grandes empresas como a Amazon, Shein, Adidas e tantas outras criam estratégias para nos levar a consumir mais do que realmente precisamos, a realidade vai muito para além disso.


Todas estas empresas são mestres do marketing; elas sabem criar em nós uma necessidade que não é real. São capazes de nos levar a comprar coisas de que não precisamos, em quantidades que não necessitamos, e a continuarmos a acreditar que essas coisas são imprescindíveis nas nossas vidas. De alguma forma, tentam convencer-nos de que esses objetos nos vão tornar mais bonitos, poderosos, com melhor status ou mais felizes.


Por trás desta necessidade que criam em nós está o desperdício absurdo de produtos novos, que acabam simplesmente no lixo, até à grande mentira em torno da reciclagem e a constante criação de novidades para nós levar a acreditar que precisamos continuar a comprar. A verdade é que o nosso consumo sem precedentes está a destruir o mundo — e a facilidade das compras online só tornou o consumismo ainda mais rápido, barato e sem sentido, ao ponto de nem precisarmos sair de casa para contribuir para este ciclo.


Não quero dar spoilers, por isso recomendo fortemente que assistam. É essencial termos consciência do impacto que cada compra tem e do que estamos a alimentar quando optamos por estas empresas.


Este documentário fez-me refletir bastante sobre como posso continuar a melhorar a minha forma de consumir. Há 10 anos que abracei um estilo de vida minimalista, mas sei que há sempre espaço para evoluir — até porque o mundo à nossa volta muda constantemente, e de forma cada vez mais acelerada.



O Dilema da Conveniência: A minha relação com a Amazon

Não vou mentir: de todas as empresas que surgiram no documentário, eu faço compras online na Amazon. Tem preços mais baixos e é bastante cómodo não ter de sair de casa para obter algo de que precisamos. Mas tanto as empresas como nós deveríamos repensar o consumo.


Para já, e desde há 10 anos para cá, só compro coisas realmente importantes e que não consigo adquirir de forma presencial na minha localidade. Mesmo assim, tento ter presente que, seja o que for, esse objeto terá um impacto: pelos materiais, pelo transporte e, posteriormente, no seu final de vida útil.


Eu acredito que se cada um de nós fizer o seu bocadinho, todos juntos, enquanto consumidores, podemos mudar alguma coisa. No entanto, vamos sempre precisar de adquirir bens ao longo da vida e, obviamente, queremos fazê-lo pelo menor valor possível. E a verdade é que é uma enorme injustiça colocar a culpa ou a resolução do problema apenas em cima dos consumidores; estas empresas são as primeiras grandes responsáveis pelas suas práticas, muitas vezes indiferentes aos impactos que provocam no mundo, visando apenas o lucro.


É importante repensarmos o nosso consumo? Sim, claro. Todos juntos podemos pressionar as empresas a alterar as suas políticas? Acredito que sim, de alguma forma. Mas as principais responsáveis são as empresas que poluem desenfreadamente sem qualquer punição.


Acho que a principal mensagem é, cada um de nós fazer o melhor que pode em benefício do mundo e de si próprio. Se evitarmos consumir sem sentido, gastamos menos dinheiro, poupamos recursos do nosso planeta e reutilizamos o que já temos.


Deixo aqui alguns conselhos práticos que tento seguir nestes últimos 10 anos como minimalista, para reduzir o consumo e torná-lo mais consciente:



Guia de Consumo Consciente


1. Repensar o Consumo

Perguntar sempre: “Eu preciso mesmo disto?”

Adiar compras para perceber se realmente são necessárias.

Priorizar qualidade em vez de quantidade.

Evitar modas passageiras e compras por impulso.

Dar prioridade ao comércio local e nacional.


2. Reduzir Resíduos

Comprar a granel e evitar embalagens descartáveis.

Usar sacos reutilizáveis, garrafas e caixas próprias.

Reduzir e reutilizar antes de reciclar.


3. Roupas com Consciência

Evitar fast fashion: optar por segunda mão, trocas ou marcas locais/éticas.

Cuidar e reparar as roupas que já temos.

Criar um guarda-roupa cápsula, precisamos de muito menos roupa do que realmente achamos.

Doar ou dar quando já não usamos (é importante saberes a quem realmente estás a doar, porque muitas vezes essas doações acabam sendo lixo em países em desenvolvimento)

Vender online roupa em bom estado.


4. Alimentação Sustentável

Consumir alimentos locais e da época.

Comprar a produtores locais dando prioridade a alimentos km zero.

Reduzir carne industrial e ultraprocessados.

Planear refeições para evitar desperdício.

Aproveitar restos e partes menos usadas dos alimentos.


5. Mobilidade

Optar por caminhar ou usar bicicleta em percursos curtos.

Usar transportes públicos ou partilhar boleias.

Evitar viagens aéreas desnecessárias.


6. Energia e Casa

Desligar aparelhos da tomada quando não usados.

Usar lâmpadas LED e aproveitar luz natural.

Reparar em vez de substituir.


7. Mentalidade Minimalista

Trocar coisas por experiências.

Valorizar o “menos é mais”: menos coisas, mais espaço mental.

 

Uma boa regra é seguir os 5 R’s da sustentabilidade:

Recusar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar.

 

Mais do que um simples estilo de vida, o consumo consciente é um ato de responsabilidade — conosco, com os outros e com o planeta. Não se trata de perfeição, mas de escolhas diárias que, somadas, fazem diferença. Cada vez que recusamos uma compra desnecessária, prolongamos a vida útil de algo que já temos ou apoiamos uma alternativa sustentável, estamos a quebrar um pedaço deste ciclo de consumismo.


O mundo precisa de mudanças urgentes, e elas podem começar dentro das nossas casas, nas nossas rotinas e nas nossas decisões. Se cada um de nós der um passo, por menor que pareça, estaremos a caminhar juntos para um futuro mais equilibrado, justo e habitável.


E tu já assististe a algum destes documentários? O que sentiste?

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