Do Caos à Calma: A Minha Chegada ao Alentejo
- Vânia Carranca
- 27 de jan.
- 2 min de leitura

Estávamos em 2020, há poucas semanas tinha deixado Lisboa com o meu marido e a minha filha de 1 ano e meio, para viver numa vila no interior do Alentejo. A minha filha precisava de tomar a vacina dos 18 meses. Já tínhamos feito a inscrição no centro de saúde da cidade mais próxima e, após o almoço, saímos rumo à consulta.
O meu marido, nascido nesta vila, ia tranquilo. Eu, vinda de 13 anos a viver e trabalhar em Lisboa, levava a pressa cravada no corpo. Fazia contas de cabeça para garantir que chegaríamos a tempo.
Pelo caminho, ele quis parar numa loja para ver algo que ainda faltava para a casa, ainda em obras. Senti logo o alarme interior: vamos chegar atrasados!
Parámos. Fomos à loja com calma e seguimos viagem.
Mais 5 minutos chegámos ao centro de saúde — sem trânsito, sem filas, sem stress. Estacionámos à porta. Entrámos. O balcão estava vazio. Disse que vinha para a vacina e indicaram-me a sala. Ao entrar, percebi que não havia mais ninguém. Só eu, o meu marido e a nossa bebé. Olhei para o relógio: estávamos adiantados.
Dez minutos depois, já estávamos de volta ao carro. A consulta tinha corrido bem, tudo simples, rápido, leve.
E ali, naquele momento, percebi: o que na cidade seria uma maratona — trânsito, estacionamento, esperas em filas — aqui acontecia com suavidade e tempo de sobra.
Tomei consciência que tinha encontrado aquilo que procurava, mesmo sem estar ainda preparada para o receber: uma vida onde o tempo não nos escapa, mas se estende. Um tempo que permite viver, chegar ao destino sem correr, ser atendida sem esperar.
Naquele dia, respirei fundo. Agradeci por esta nova simplicidade. E comecei, aos poucos, a confiar num ritmo mais brando — o ritmo de quem vive onde a vida tem espaço para acontecer sem pressa.



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