Inverno no Alentejo: O Refúgio Perfeito
- Vânia Carranca
- 27 de jan.
- 2 min de leitura

O inverno chegou e, com ele, chegaram o som dos pássaros pela manhã, a brisa gelada que toca as partes expostas do nosso corpo, os campos ficam verdes e cobertos de gotículas de água ou de gelo. As manhãs e as noites são ainda mais silenciosas na aldeia. No ar permanece o cheiro das lareiras e das salamandras, que cria uma espécie de nuvem acolhedora sobre toda a Aldeia. Viajam para lá e para cá carrinhas carregadas de lenha, abastecendo casas e quintais.
Mas, com o inverno, chegaram também as temperaturas negativas, as manhãs com gelo nos carros, na estrada e nos nos telhados. Chegou o desconforto de sair de uma cama quente e de uma casa aquecida. Chegou o tempo de manter as mãos nos bolsos para que não fiquem geladas, de vestir várias camadas de roupa e de usar os casacos bem quentes e pesados. Chegou época das lãs fáceis de usar difíceis de lavar e secar. Chegou a época em que o corpo pede recolhimento tal como a natureza.
No entanto, apesar de todas estas dificuldades que a estação traz, o inverno carrega consigo muita magia.
Há uma paz no inverno, no Alentejo.
Há recolhimento.
Há tranquilidade e silêncio.
Há uma pequena pausa na natureza, sobretudo nas oliveiras que, depois de tanto trabalho, agora permanecem ali, no meio dos campos verdes, tranquilas, como quem cumpriu o seu dever.
Há um conforto imenso em passar uma tarde de sábado no sofá, com uma manta e o lume aceso, enquanto lá fora uma oliveira se abana ao vento gelado que se faz sentir. Há conforto em aceitar a temperatura que aparece no telemóvel e não precisar de a sentir na pele.
Há algo profundamente acolhedor no inverno do Alentejo.
A aldeia fica mais vazia, ainda mais silenciosa, ainda mais tranquila. Todos se recolhem nas suas casas, o bem mais precioso. O lume torna-se o centro da casa. O fogo — essa alma viva, essa energia da vida que tanto destrói como aquece — passa a ser o centro de muitas casas. O ritual de o acender é diário, simples e tranquilizante.
Há algo de mágico no inverno do Alentejo. E, apesar de ao início ter tido medo dele, aprendi a gostar deste inverno. Aprendi a adaptar-me a ele. Aprendi a combater o frio e o desconforto.
Hoje vivo invernos tranquilos, silenciosos e confortáveis. Há, sem dúvida, algo de mágico no inverno do Alentejo.



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