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Da árvore ao Lagar: A tradição da apanha da azeitona no Alentejo

  • Foto do escritor: Vânia Carranca
    Vânia Carranca
  • 31 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Olival e homem a apanhar azeitona

Dei por mim a pensar, enquanto fazia as caminhadas diárias matinais pelo campo com a minha cadela. "Este ano há muita gente a apanhar azeitona."


Depois, saí um pouco do meu egocentrismo e percebi — claro que não é apenas este ano. Eu é que desde que adotei a minha cadelinha, que venho todos os dias caminhar ao longo dos olivais e presencio aquilo que se faz há muitos e muitos anos por aqui.


Pouco se vê da apanha à antiga, com vara, quanto se batia na árvore, um trabalho duro que, em tempos, era bem pago e do qual muita gente vivia. Agora é muito mais comum ver pequenas máquinas que facilitam bastante o trabalho — máquinas a bateria que fazem a parte mais difícil.


Ainda cheguei a ver máquinas maiores e mais modernas, tratores poderosos que “abraçam” a árvore e fazem-na vibrar até que não reste praticamente nenhuma azeitona. Rápido e sem praticamente necessidade de esforço braçal.

Na última semana, a apanha intensificou-se porque se esperavam chuvas e a qualidade da azeitona iria diminuir.


Nas minhas caminhadas matinais, cruzei-me com muitos senhores da apanha, alguns metiam-se comigo como é cortesia aqui.


— Menina, o seu cão não sabe apanhar azeitona para nos ajudar?

Ao que me ri e respondi:

— Ela só sabe apanhar comida no prato!


Nestes últimos dias na vila, há fila à porta do lagar de várias carrinhas para entregar a azeitona apanhada e dar seguimento ao passo seguinte: extrair o azeite. Alguns produtores de azeitona apenas vendem, outros trocam parte por garrafões de azeite, ficando com stock para muitos meses.


O azeite é o ouro verde desta região e grande parte da sua economia ainda gira à volta dele.


É um privilégio acompanhar o processo, desde a flor, à azeitona, a sua apanha e entrega no lagar.


Na minha mesa, o azeite vem do lagar da Aldeia onde vivo, das azeitonas apanhadas nos campos que rodeiam a minha casa pelas mãos de quem aqui mora. Não sei se é por isso tudo, ou se simplesmente aprecio mais por esses motivos, mas este azeite tem um sabor especial!

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